A FILOSOFIA DA ARCÁDIA

A palavra arcádia, na qualidade de academia, surgiu em Roma em 1690 (Accademia dell’Arcadia) como círculo de poetas, cientistas da escola de Galileu, filósofos e escritores que queriam voltar ao classicismo, numa era em que o sentimento sufocava a razão. Tinha um carácter nacional e modernista no seguimento de Descartes, um profeta do modernismo. Criticava o barroco querendo voltar à simplicidade clássica nas obras de arte no espírito do bem, do belo e da elegância, na tradição de Platão e Aristóteles.

Portugal imitou os árcades italianos ao criar a Arcádia Lusitana em 1756. Embora a sua existência fosse de pouca dura (extinguiu-se em 1764) teve grande influência nas artes e nas letras. Tinha como objectivo combater o “mau gosto” da literatura poética do séc. XVII e implementar um gosto estético privilegiador da razão sobre o sentimento. Machado de Castro foi o maior expoente da Arcádia. Os Árcades prepararam Portugal para a iniciação do Romantismo. Almeida Garrett foi o discípulo da Arcádia mais relevante.

Na palavra ARCÁDIA conjuga-se história, arte e cultura. Constituímos a palavra a partir das abreviaturas de Arte e Cultura em Diálogo. A nossa preocupação inicial é a interdisciplinaridade e a interculturalidade realizadas numa visão consciente de que tudo é complementar. De comum aos antigos árcades temos o espirito criativo inovador e também o respeito pelo que é nacional.

Hoje como então encontramo-nos em tempos de mudança forte anunciadores duma nova época. Para onde se dirige a arte numa altura em que seus conceitos não são questionados? Nestes tempos de globalização torna-se urgente salvaguardar a pessoa e os biótopos naturais e culturais extremamente ameaçados por vendavais mercantilistas que ameaçam nações e pessoas, pondo em perigo a democracia e os fundamentos da própria cultura. A crise actual é o sintoma mais claro de que há necessidade de mudança.

Procuramos o espírito duma nova consciência e duma nova cultura num mundo que se deseja de todos para todos. Não chegam as coordenadas do racionalismo e do sentimentalismo nem tão-pouco as do pragmatismo primário; chegou a hora de fazer passar a razão pelo coração. Precisamos dum ser humano situado e ao mesmo tempo global com uma visão a-perspectiva (visão que procura enquadrar todas as perspectivas) e integral numa nova estratégia de vida concebida na vivência do “eu-tu-nós”. O “nós” será o ponto de partida e de chegada do nosso pensar e agir. Queremos pensar e repensar a realidade, os projectos e os problemas a partir do “nós” numa relação pessoal geradora de “eus” e “tus” adultos, gratos e gratificantes. Assim contribuímos para uma Realidade de consciência integral. Não se trata aqui de premiar a razão em relação ao sentimento mas de activar a intuição. À filosofia dialéctica das alternativas, à atitude do “ou… ou…” queremos fomentar uma atitude de triálogo: uma realidade complementar do “não só…mas também…”

Consequentemente, a “ARCÁDIA – Associação de Arte e Cultura em Diálogo” quer praticar nas suas iniciativas e entre os árcades (membros) uma atmosfera humana e simples de amizade e complementaridade onde a estima pelo outro ultrapassa a tolerância.

António da Cunha Duarte Justo

(Presidente de ARCÁDIA)

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4 Comments

  1. Uma boa iniciativa. Os meus parabéns e grande sucesso. Abraço amigo.

  2. Entre outras ideias de Projectos em aberto como a Ideia de um projecto “HISTÓRIA DO ULTRAMAR AO VIVO escrita e vivida por pessoas da região (antigos Soldados, “Retornados”, etc). Um projecto tal implicaria a formação de grupos de trabalho com tarefas próprias, com a colaboração das Escolas, autoridades e se possível até alguém da Universidade de Aveiro ou com algum estudante universário de História da região ou outros grupos afins. Poder-se-ia começar em ponto pequeno por investigações previas para auscultar da possibilidade e do interesse em realizar tal projecto (Um deles poderia ser o pelouro da cultura de Albergaria. O projecto poderia ser elaborado tendo em conta diferentes intervenientes (p.ex. Alunos do secundário que realizariam o trabalho de investigação orientada) devidamente preparadaos com questionários previamente elaborados por um grupo orientador do projecto funcionando a ARCADIA como colaboradora/iniciadora. Esta seria uma ideia que poderia juntar aficcionados e até pessoas com competentes (até militares ou professores que estiveram no então Ultramar). Tudo isto suporia um grande trabalho de levantamento e recolha de materiais que depois poderiam rematar em exposiões e na elaboração de um livro. Este projecto poderia ser semelhante ao do seguinte: Minha Vida nas Mala.Para já fica a ideia de se ir procurando pessoas que com algum elemento da ARCADIA iniciariam a elaboração do projecto em termos concepcionais e estratégicos.
    Poderia ser elaborado na linha de ideia do projecto MINHA VIDA NA MALA

  3. Projecto “MINHA VIDA NA MALA”
    descrito no Blog:
    PROJECTO “MALAS MIGRANTES” – “MINHA VIDA NA MALA”
    A ARCÁDIA, Associação de Arte e Cultura em Diálogo, dedicada à terra e ao Homem, deseja, em colaboração com diversas entidades, elaborar e promover o projecto de Malas Migrantes para focar a vida e o papel da vida migrante na sociedade portuguesa. Este projecto poderia tornar-se numa exposição itinerante.
    Não há família nenhuma em Portugal sem experiência migrante. A migração marca a paisagem e a alma de Portugal. É uma constante característica de organização da vida familiar portuguesa e do seu Estado. A emigração é uma das cinco quinas que marcam o país.
    Cada pessoa ou família envolvida no projecto poderá apresentar uma mala, a ser exposta, elaborada com materiais, imagens, objectos, documentos, lembranças, tudo relacionado com uma vida entre paragens e em que a mala se tornou símbolo de vida e companheira. Trata-se de conhecer e divulgar, também com postais, cartas, músicas, etc., o contributo da emigração em termos geográficos e sociológicos valorizadores do nosso povo e das nossas terras.
    O projecto poderia constituir uma oportunidade para reflectir sobre a identidade portuguesa ao possibilitar a objectivação de histórias de famílias que partem e que ficam.
    Neste momento do projecto, o senhor secretário de Estado das Comunidades poderia apresentar ideias e modos de elaboração do projecto e painéis com dados da emigração, de modo a que esta iniciativa da ARCÁDIA – Associação de Arte e Cultura em Diálogo se tornasse num projecto de exposição itinerante, por Portugal e pelas comunidades. Neste sentido, também o tradicional encontro de emigrantes poderia ser organizado na vila da Branca, sob o patrocínio da edilidade de Albergaria-a-Velha e de Aveiro.
    Este projecto poder-se-ia concretizar num Verão na semana do emigrante. Nele poderiam contribuir e participar as mais diversas entidades.
    Um terço de Portugal vive no estrangeiro sendo inegável o impacto do contributo dos emigrantes para o desenvolvimento de Portugal.
    O MNE poderia elaborar também um projecto de digitalização aberto ao público online com conteúdos relacionados com a vida e a história da emigração.
    A Universidade de Aveiro em colaboração com o MNE poderia tornar-se na patrocinadora e orientadora de tal projecto.
    A exposição de “MALAS MIGRANTES” – “MINHA VIDA NA MALA” poderia ser alargada a outras iniciativas de projectos camarários e poderia ser apadrinhada por um Município ou cidade com disponibilidade de espaços e patrocínio dum museu local.
    O local de arranque poderia ser a Quinta Outeiro da Luz e possivelmente a vizinha quinta do Outeiro na Branca, Alb.-a-V. O projecto que a ARCÁDIA pretende realizar na sua sede teria um outro impacto se fosse realizado nas perspectivas aqui sugeridas.
    Aqui está uma ideia aberta, duma associação sem fins lucrativos, que poderia vir a constituir um projecto colectivo de grande alcance. Neste sentido agradecia a sua colaboração.
    António da Cunha Duarte Justo
    Presidente da ARCÁDIA
    http://www.arcadia-portugal.com
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    António Justo diz:
    26 de Agosto de 2012 às 11:30

    “MINHA VIDA NA MALA”/”VIDAS(MALAS) MIGRANTES”

    Um obrigado especial pelo Feedback que o texto sobre a ideia/projecto “MINHA VIDA NA MALA”/”VIDAS ( MALAS) MIGRANTES” está a ter. O tenor do dito resume-se à frase: é um projecto demasiado ambicioso.

    Naturalmente que o conceito/projecto que aqui apresento para discussão e ajustamento é o mais alargado possível, para depois o reduzirmos às dimensões exequíveis e reais. Fiz o conceito muito alargado para que na discussão os árcades e amigos possam melhor definir estratégias para um projecto definitivo e para que possíveis personalidades e instituições que queiram participar como co-realizadores e co-autores do projecto saibam que têm possibilidades muito abertas também para os seus possíveis interesses específicos.

    A ideia da realização da Festa migrante na Branca/Albergaria-a-Velha ou Aveiro, é uma ideia acidental que só poderiam ser levada avante se as edilidades assumissem a responsabilidade de efectivação em colaboração com o Ministério dos Negócios Estrangeiros, caso este estivesse interessado. A realização desta ideia não poderia ser assumida pela ARCÁDIA; seria apenas uma proposta da ARCÁDIA às Comarcas de Aveiro.

    Quanto ao projecto das “MINHA VIDA NA MALA”/”VIDAS (MALAS) MIGRANTES”, que tanto poderia ser local, regional como nacional, a ARCÁDIA só poderia assumir a responsabilidade local. No caso de uma Universidade (por exemplo a Universidade de Aveiro, secção de sociologia/história)ou outra identidade querer pegar na Ideia e fosse apoiada talvez pelo MNE, então a nossa ideia de projecto poderia tornar-se num grande projecto. No que diz respeito à ARCÁDIA, partimos do princípio de concretizar o projecto “Minha vida na Mala”/”Vidas (MALAS)Migrantes” na sua sede. Seria entretanto de saudar se se juntassem parceiros que quisessem alargar a ideia e dar-lhe grandes dimensões. Naturalmente que a efectivação dum projecto a nível nacional ou mesmo internacional, implicaria que as repartições da cultura das Câmaras, uma universidade, o MNE, e talvez a RTPi se tornassem nos organizadores e realizadores do projecto. A ideia tem de nascer nalgum lado!… A ARCÁDIA apenas acha oportuno que a ideia que tem de realizar o projecto resumido na Branca mereceria ser repensada e assumida a um nível superior.

    Encontramo-nos num momento de “Brain” de ideias que na altura oportuna poderão ser sincronizadas para se poder então fixar em projecto definitivo a ser concretizado em tempo achado conveniente por todos os parceiros.

    Para já, trata-se de recolher ideias para um projecto que pode ter diversas dimensões e diversos públicos. Se se achar oportuno, a ARCÁDIA elaborará um texto a apresentar ao mesmo tempo ao MNE, a uma Universidade, à RTPi, a entidades oficiais locais e à Imprensa.

    O importante não é a dimensão da ideia mas a estratégia de a aplicar ao âmbito concreto a determinar. A nível de ideias também uma grande montanha pode parir um rato. Importante é que queremos servir; o âmbito já depende das possibilidades dos seus intervenientes.

    Obrigado pelas vossas ideias e por pessoas que podereis propor no sentido de se efectuar o projecto ao nível próprio e realista.
    Seria bom que deixassem comentários na secção comentários para serem acessíveis a todos.
    O presidente da
    ARCÁDIA
    Em:A MINHA VIDA NA MALA
    http://www.arcadia-portugal.com/blog.html, 21 de Agosto 2012.

  4. PROJECTO “HISTÓRIA DO ULTRAMAR AO VIVO escrita e vivida por pessoas da região (antigos soldados, “retornados”) poderia tornar-se num acto de justiça para com os referidos envolvidos da região ao mesmo tempo que constituiria uma oportunidade de descrição da História sob a perspectiva do povo.
    Seria muito frutífero para todos se aqui fossem apresentadas ideias e propostas que depois seriam dirigidas para a pessoa determinada pela ARCADIA para coordenar ou ajudar a coordenar a iniciativa (já há alguém a iniciar contactos. VAMOS TODOS TRABALHAR POR UM PORTUGAL DAS REGIOES – UM PORTUGAL AINDA MAIS DEMOCRÁTICO E MAIS COMPLETO!

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